Sala de aula é lugar de Bíblia e oração?

[Christian Post] Um adolescente de 15 anos alega ser vítima de bullying desde janeiro, em uma escola de São Bernardo do Campo, em São Paulo, após a professora Roseli Tadeu Tavares de Santana realizar leituras bíblicas e orações em sala de aula.

O aluno do 2º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Antonio Caputo disse que passou a ser alvo de brincadeiras e ataques por parte dos colegas por ser praticante de candomblé, e se recusar a participar do momento religioso realizado pela professora de história.

Roseli utilizava uma Bíblia e pregava durante vinte minutos, antes do início da aula, segundo a agência Estado. O pai do estudante, o aposentado Sebastião da Silveira, é sacerdote de cultos afro. O filho não concordava com a pregação, o que foi percebido pelos colegas que passaram a intimidá-lo.

“Ficamos abalados”, disse Silveira, porque a escola não deu garantias sobre a segurança de seu filho. Já a professora alegou que a pregação religiosa fazia parte de seu método de aula.

O caso está sendo tratado como intolerância religiosa, a professora e a direção da escola podem sofrer punição, segundo Antônio Carlos Arruda, coordenador de políticas públicas de combate aopreconceito.

Uma multa que varia de R$ 9.200 a R$ 18,4 mil poderá ser aplicada, pois a prática é proibida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. “É uma história recorrente. Lamentamos quando a gente tem alguém de má formação que não tem tolerância ou respeito com o outro”, disse Arruda à publicação.

Os alunos também reclamaram da prática da professora, que seria impositiva. “Não aprendi nada com ela. Só que teria de ter a mesma religião que ela”, disse um menino de 16 anos.

Um boletim de ocorrência foi feito no 4º DP (Riacho Grande). A Comissão de Liberdade Religiosa da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) se pronunciou em nota.

“O Estado brasileiro é laico e não pode promover uma religião específica através de seus agentes. É preciso compreender a importância do respeito à escolha do próximo”, disse a presidente Damaris Moura.

O Ministério Público irá investigar a professora e a escola onde ocorreram as agressões e discriminação ao garoto. O resultado ainda não tem previsão de ser divulgado.

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