Hinos: coisa do passado?

Ainda há espaço para hinos nas igrejas? Em tempos modernos, com cada vez mais compositores, as canções antigas sobrevivem?

[Wellerson Cassimiro] “Sim, nesse sangue lavado, mais alvo que a neve eu estou!” Levanta a mão aquele que nunca ouviu os ornamentos uníssonos desses versos. Muitos ainda irão dizer que não ouviram tais notas emandas das cordas de um piano ou vindas dos foles de um harmônio. Assim como esta conhecida melodia “Pureza no Sangue de Cristo”, muitos outros hinos têm inspirado cantores gospel que, têm recorrido aos arranjos históricos hinísticos para as suas novas composições. A exemplo, em 2007, Soraya Moraes lançou o álbum “Deixa o Teu rio me Levar”, no qual trazia a melodia do hino “Mais Perto de Ti”, unida aos acordes de “Kakuli Walisoka La Iesu” (Ninguém é igual a Jesus). Já o grupo Renascer Praise, no seu quarto CD, deu uma nova roupagem melódica ao hino “Trindade Santíssima” (Santo, santo, santo, Deus Onipotente). E os hinos, como fontes de inspiração, são os mais diversos possíveis. Eles ganham novos formatos, sofrem adaptações de harmonia, andamentos e ritmos.

Segundo a compositora, pianista e produtora musical, Zaine Chaves, 38 anos, os hinos nunca sairam de moda e afirma que são fundamentais no serviço litúrgico. Nascida e criada em uma igreja evangélica tradicional, a pianista revela que iniciou no universo musical, ainda criança, tocando os hinos a quatro vozes (baixo, tenor, contralto e soprano), em um órgão, por exigência de seu pai, que era organista. “Nesta época, a igreja só cantava as músicas do hinário e os chamados corinhos de louvor”, conta. A partir da década de 1990, as músicas gospel foram sendo inseridas, gradativamente, nos cultos, fomentadas pela profissionalização das bandas e cantores, e pela multiplicação das rádios evangélicas. “As rádios contribuiram, relevantemente, para a inserção destes novos louvores nos templos. E, junto com as rádios, houve ainda o fenômeno dos play-backs, que faziam o maior sucesso entre os cristãos”, afirma. Desse modo, aos poucos, os hinos e os louvores gospel foram se amalgamando, durante a litúrgia, até que em algumas denominações os hinos caíram no esquecimento.

Não obstante, a pianista ressalta que, nesta mesma década, as igrejas renovadas também cresciam em número, as quais só adotaram as canções gospel. Contudo, acredita que as regravações destas obras hinísticas, feitas por alguns cantores, reacende uma rica cultura tradicional, no entanto, sem ficar obsoleto. “Acho que tem espaço para todos os gêneros musicais, sem preconceitos e rotúlos. Na Bíblia está escrito que devemos louvar a Deus com adufes, danças e címbolos sonoros. Então, vamos louvar”, enfatiza. E, este casamento dos hinos com as músicas gospel está conquistando adeptos.

Apesar de não ter vivido a efervescência hinística, a estudante Amanda Medeiros, 23, afirma que esse retorno ao clássico é muito importante para a preservação de uma identidade religiosa. “Estas canções são muito espirituais e algumas delas cantamos em minha igreja, principalmente, nas reuniões de oração”, diz. Opinião esta comportilhada pelo vendedor, Paulo Soares, 36, que é membro de uma igreja pentecostal.

Para ele, este enlace musical só vem a acrescentar na adoração a Deus. “Fica criativo e desperta os mais jovens para um verdadeiro louvor”, diz.

Para Zaine Chaves, acostumada a produzir para a mídia cantores e músicos dos mais diversos gêneros, a questão de incluir alguns compassos ou melodias inteiras dos hinos em canções gospel diz respeito somente a uma preferência de alguns, e talvez, um resgate destas obras por parte de outros cantores. “Não é, precisamente, uma necessidade mercadológica. O meio musical possui diferentes públicos, até mesmo dentro das igrejas. E, por que não resgatar parte  destas músicas?”, encerra.

Reportagem publicada na edição 45 da Impacto World (ago/set). Veja aqui onde comprar a sua em Juiz de Fora.

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