Inocência perdida

A modernização da brincadeira “Salada Mista”

por Wellerson Cassimiro

Pulseiras do sexo

Na praça, crianças brincam em um velho parquinho. Sobre o barro batido, meninos rolam uma cansada bola de futebol. E nas rodinhas de amigos, adolescentes trocam confidências e veneram seus ídolos da música e do cinema. Entre os vários acessórios que enfeitam seus corpos, como bonés, cintos e óculos escuros, inocentes pulseiras coloridas ornamentam seus pulsos – inocentes aos olhos mais desatentos. Na verdade, este simples acessório de plástico esconde um terrível jogo: o snap game (em português seria algo como jogo de arrancar). As pulseiras são usadas pelas garotas e funcionam como códigos para as experiências sexuais mais precoces. Cada cor significa um grau de intimidade, desde um mero abraço até a consumação do ato sexual. Segundo a edição de outubro de 2009 do jornal inglês The Sun, os adolescentes britânicos teriam inventado vários jogos com as pulseiras, cujo objetivo é sempre o mesmo. Ao rebentar uma pulseira de uma determinada cor, o rapaz terá direito a pedir um comportamento sexual da menina.

Pulseiras do sexo – sinônimo de respeito e prostituição

Conhecida como sex bracelets, ou pulseiras do sexo, esta brincadeira; ou melhor, este jogo, já despertou muita polêmica. Elas são semelhantes às pulseiras que se tornaram populares na década de 80. Contudo, ao longo dos últimos anos, algumas escolas britânicas e norte-americanas proibiram o seu uso, por medo que se tenham tornado símbolos de atividade sexual. Como ocorre nas interações sociais de grupos e movimentos quase que alienados ou à margem da sociedade, com ideologias e doutrinas próprias, existe um ritual e um estigma por detrás das pulseiras. Quem não as usar fica excluído do grupo. No entanto, quem usar as pulseiras na cor preta e dourada se torna mais respeitado. Para os mais radicais, as pulseiras são a modernização da famosa e antiga brincadeira “Pêra, Uva, Maçã, Salada Mista”.

A supervisora pedagógica da rede estadual, na Zona Norte de Juiz de Fora, Marina Victor, 40 anos, conta que as crianças estavam assistindo às aulas com as pulseiras. Ela revela ser complicado mexer com o conhecimento e, principalmente, o entendimento da comunidade sobre determinados temas e, por isso, não interferiu de forma invasiva. “Se as crianças estão usando as pulseiras é porque os seus pais deixaram. Eu procuro respeitar e orienta-los”, explica Marina. Segundo ela, seu papel foi esclarecer alunos e pais sobre o significado de cada uma das cores e que a escola é um ambiente para aprendizagem e, assim, as pulseiras não tinham espaço.

Marina pediu para que os alunos não as usassem dentro da escola, até mesmo para não levantar questionamentos por alguns membros do bairro. E, a ordem está sendo comprida.  “Depois de conversar a respeito das cores, pedi para que os alunos não utilizassem as pulseiras do portão para dentro. Até o momento não tive problemas”, completa a supervisora.

Quem não quis ter problemas foi a dona-de-casa Maria Aparecida Soares, 43. Ela revela que sua filha adolescente chegou em casa com as pulseiras após o horário da escola. No início, a mãe achou as pulseiras muito atraentes por causa das cores. Mas logo que descobriu os significados através de sua vizinha, proibiu a filha de usar. “Eu quase não acreditei quando a minha vizinha me disse. Fiquei assustada”, desabafa Maria Aparecida.

A estudante, que aqui chamaremos de Lara, 15, afirma que usou as pulseiras durante três dias. Contudo, desistiu da ideia quando sua professora lhe apresentou o real sentido das pulseiras. “Tirei as pulseiras ainda na sala de aula”, falou ela. Contudo, segundo a jovem, algumas meninas permaneceram usando as pulseiras, durante dias. Todavia, não demorou muito para serem repreendidas pelas orientadoras do colégio. “Na minha escola acho que nenhuma menina está usando. Mas, nas ruas, sempre vejo duas ou três garotas com as pulseirinhas. Enquanto estiver na moda, algumas meninas irão usar estas pulseiras”, acredita a estudante.

Pulseiras do sexo

Fique por dentro do significado de cada cor:

Amarela: significa dar um abraço no rapaz;

Laranja: significa uma “mordidinha do amor”;

Roxa: já dá direito a um beijo com língua;

Cor-de-rosa: a menina tem que mostrar os seios;

Vermelha: a menina precisa fazer uma lap dance (dança erótica);

Azul: fazer sexo oral praticado pela menina;

Verdes: são as pulseiras dos chupões no pescoço;

Preta: significa fazer sexo com o rapaz que arrebentar a pulseira;

Listrada: sexo na posição;

Grená: sexo anal sem lubrificante;

Transparente: sexo com parentes co-sanguíneos;

Marrom: sexo escatológico;

Dourada: fazer todos citados acima ou sexo oral simultâneo.

COMO JOGAR O SNAP GAME – SEX BRACELETS:

Este jogo consiste nas seguintes regras: O jogador número 1 escolhe um participante que esteja usando as pulseiras (Jogador dois). Ele escolhe uma determinada cor e vai puxando a pulseira até quebrar do braço do jogador dois. A pulseira só pode ser removida do jogador 2 manualmente, sem ajuda de tesouras, facas ou canivetes. Se o jogador dois deixar a pulseira escapulir dos seus dedos sem quebrá-la,  perde a vez. Contudo, se ele conseguir quebrar a pulseira, ele e o jogador um executam o ato sexual, respectiva à cor da pulseira quebrada. O jogador dois pode optar por ficar com a pulseira quebrada para requerer a sua recompensa mais tarde. No entanto, esta cor só pode ser usada uma vez.

OUTROS JOGOS DO SEXO:

Festas Arco-Íris – são encontros regados a muito álcool e droga. As meninas usam batons de diversas cores para deixar uma marca nos rapazes após o sexo oral.

Cubos do amorCubos do prazer para adolescentes – o mercado, ainda, oferece para os adolescentes jogos com cubos, com inscrições em cada face como, um beijo ou um simples aperto de mão. Estes jogos, também, lembram à antiga brincadeira “Salada Mista”. O “kit Cubos do Amor”, como é chamado, vem com dois cubos impressos, sendo um com tarefas: beijo, carinho, mordida, cheiro e um coringa. O coringa permite que o jogador escolha a tarefa que quiser. O outro dado apresenta desenhadas algumas partes do corpo como, por exemplo, boca, orelha, barriga, nuca, pés e, também, um coringa. Há modelos com apenas um cubo, como o “Dadinho do Beijo”, com as opções: No Rosto, Na Boca, Técnico, Quem Joga Escolhe e Drácula. Neste último, o beijo começa na boca e termina no pescoço. Se a intenção é quebrar o gelo do encontro e deixar de lado a vergonha, surge o dado chamado de “O que eu Sinto Por Você”. Nele estão inscritas as palavras: paixão, amor, carinho, amizade, ciúmes e quem joga o cubo escolhe a tarefa.

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