Ir a campo ou buscar refúgio

Wellerson Cassimiro

(colaboração: Brunna Luayne)

Fevereiro! Serpentinas e confetes marcam a chegada de uma das festas considerada, a mais popular, animada e representativa do mundo; o carnaval. Sua origem é ainda uma incógnita. Segundo estudiosos, suas raízes se encontram num festival religioso primitivo, pagão, que homenageava o início do Ano Novo e o ressurgimento da natureza. No entanto, há quem diga que suas primeiras manifestações ocorreram na cidade italiana de Roma, ligadas às famosas saturnálias, de caráter orgíaco. Outros relatam que o carnaval é oriundo do entrudo português, onde as pessoas jogavam água, ovos e farinha nas outras, simbolizando a libertação dos desejos da carne. E este simbolismo perdura até os dias atuais.

carnaval

A história do Carnaval começa há mais de 4 mil anos antes de Cristo, com festas promovidas no antigo Egito, como as festas de culto a Ísis. Eram principalmente eventos relacionadas a acontecimentos religiosos e rituais agrários, na época da colheita de grandes safras. Desde essa época as pessoas já pintavam os rostos, dançavam e bebiam. Em Roma, as raízes deste acontecimento estão ligadas a danças em homenagem ao Deus Pã e Baco, eram as chamadas Lupercais e Bacanais ou Dionísicas.

Com o advento da Era Cristã, a Igreja começou a tentar conter os excessos do povo nestas festas pagãs. Uma solução foi a inclusão do período momesco no calendário religioso. Antecedendo a Quaresma, o Carnaval ficou sendo uma festa que termina em penitência na quarta feira de cinzas. Os cristãos costumavam iniciar as comemorações do Carnaval na época de Natal, Ano Novo e festa de Reis. Mas estas se acentuavam no período que antecedia a Terça-feira Gorda, chamada assim porque era o último dia em que os cristãos comiam carne antes do jejum da quaresma, no qual também havia, tradicionalmente, a abstinência de sexo e até mesmo das diversões, como circo, teatro ou festas.

No Brasil

O carnaval, como nós o conhecemos, chegou às terras tupiniquins em meados do século XVII e foi influenciado pelas festas carnavalescas realizadas no continente europeu. Na França e na Itália, o carnaval acontecia em formas de desfiles urbanos, onde as pessoas trajavam máscaras e fantasias. Foi neste período que, também de origem europeia, as figuras de colombina, pierrô e do rei Momo foram incorporados ao carnaval brasileiro. Os primeiros blocos carnavalescos começaram a surgir no século XIX.

As pessoas se fantasiavam e decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades, dando origem aos atuais carros alegóricos e às escolas de samba. No século XX, o carnaval foi crescendo e se caracterizando cada vez mais como uma verdadeira festa do povo. Este crescimento ocorreu com o auxílio das marchinhas carnavalescas que deixavam esta celebração carnal cada vez mais animada. Atualmente, pode-se traduzir o carnaval como um conjunto de manifestações populares que acontecem em diversos países e regiões católicas, nos dias que antecedem o início da Quaresma.

carnaval em olinda

Dias de Penitências

Segundo a integrante de um dos grupos carismáticos da igreja católica em Juiz de Fora, a dona-de-casa Edna Alves de Andrade, 38 anos, a Quaresma é um período de 40 dias, que propõe ao ser humano uma abstinência de alguns prazeres como, a ingestão de bebidas ou carne vermelha.

“Durante quase seis semanas a pessoa se compromete em rejeitar algum desejo ou vontade como, se fosse um jejum”, explica ela. A dona-de-casa ainda revela que os últimos sete dias da Quaresma são denominados, pela Igreja Católica Apostólica Romana, de ‘Semana das Dores’, quando um sacrifício maior – abster – deve ser feito. “As autoridades religiosas, católicas, emitem folhetins parecidos com as novenas, onde cada dia da Quaresma possui um tema para ser refletido”, conclui Edna.

Esta festa popular, que ocorre antes deste período de abstinência, acontece em quatro dias de muita folia, música e liberação exacerbada de sentimentos e desejos. Em alguns Estados brasileiros como, por exemplo, na Bahia, estas 96 horas de festa são estendidas, resultando em uma semana de folia.

O desafio: sair detrás dos muros

No meio evangélico, estes quatro dias de folia são marcados pelos acampamentos e retiros espirituais, formados em sua maioria por jovens e adolescentes, que acontecem durante todo o período de carnaval. Sítios e granjas são os mais apreciados pelas igrejas evangélicas para a realização desta atividade.

Para a estudante Janaína Pereira, 27, o retiro espiritual é uma das formas de unir o povo de Deus, fortalecendo a comunhão e o amor fraternal, proporcionando recolhimento e momentos íntimos para uma reflexão sobre sua vida espiritual. “Sempre que posso, participo dos acampamentos liderados pelos jovens da minha igreja. Eu volto dos retiros com o espírito renovado”, afirma a estudante.

Segundo Douglas de Mota Filho, 35, obreiro há dois anos em sua igreja local e líder do grupo de casais, os acampamentos oferecem momentos especiais para fortificar o espírito do homem. “Ficamos mais fortes para enfrentar as tribulações do mundo”, conta ele. Para Douglas os jovens precisam participar desses encontros, pois as lutas são incessantes.

Férias?

Quanto à seriedade dos acampamentos, já que alguns jovens os associam às meras férias, a jovem Janaína Pereira diz que, realmente, há pessoas que acham que os acampamentos são apenas momentos de entretenimentos. Contudo, não refletem a opinião da maioria das pessoas que participam. ”Não é difícil perceber aqueles que estão ali só para a diversão. Eles esquecem do motivo maior de estarmos todos reunidos e, com certeza, precisam de muita oração”, destaca Janaína. O obreiro Douglas de Mota Filho menciona que estes encontros são necessários, pois preparam o crente para a evangelização. “O cristão não pode sair para evangelizar de estômago vazio. Ele precisa buscar a direção divina, para depois sair a campo. O crente precisa vigiar e orar constantemente”, adverte Douglas.

No entanto, para o pastor Henrique Gomes, 25, são nestes dias que os crentes devem sair para a seara e não permanecerem ilhados. A evangelização é uma urgência real. Segundo ele, o carnaval é o período em que o diabo mais se manifesta. Os térreos de macumba permanecem fechados e os trabalhos realizados nestes lugares se concentram nas ruas. “Atualmente, há em nossa igreja pessoas que foram pais-de-santo ou frequentavam estes térreos e relataram que no carnaval as atividades ficam suspensas, pois o diabo atua diretamente nas ruas”, diz ele.

O pastor explica que, nos quatros dias de folia, a igreja que administra permanece aberta durante todo o dia, com a realização de cultos em vários horários e, não há retiros espirituais. Os jovens, junto com os líderes da igreja, promovem uma intensa evangelização nos bairros. “Os filhos de Deus não podem cansar ou se segregarem nos dias do carnaval, pois os filhos do diabo não se cansam e fazem de tudo para transformar essa festa na melhor e na maior festividade de todos os eventos, atraindo milhares de pessoas. Muitas delas dormem nas filas para comprar os ingressos para os desfiles das escolas de samba. Precisamos nos dedicar ao máximo e alcançar almas escravizadas pelo inimigo”, conclui o pastor Henrique Gomes.

A dona-de-casa Maria Dalva Corrêa, 43, compartilha da mesma opinião do pastor. Para ela, este é o momento ideal para resgatar vidas enterradas no pecado. Ela não concorda com os acampamentos em dias de carnaval. “Somos todos missionários e evangelizadores neste mundo. É o nosso dever anunciar a Palavra de Deus. Está escrito na Palavra que Jesus veio para os doentes e não para os sãos”, conclui ela.

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