Tragédias: qual o papel da Igreja?

Gabriel Nascimento

Wellerson Cassimiro

Atualmente, a sociedade vem assistindo às profundas e abruptas alterações climáticas ocorridas em diversas partes do mundo. Há uma sensação de que tudo enlouqueceu. Ora, um calor intenso e altas temperaturas. Ora, densas chuvas, abalos sísmicos e temperaturas abaixo de zero. Segundo dados do site da Estratégia Internacional para a Redução de Catástrofes, de janeiro a novembro de 2009 foram registrados 245 desastres meteorológicos, que atingiram 55 milhões de pessoas e provocaram sete mil mortes no mundo.

Exemplos recentes e próximos ratificam tais números. Só no mês de janeiro, os brasileiros presenciaram tragédias que, poucos imaginariam. A força das águas derrubou uma ponte no Estado do Rio Grande do Sul, causando a morte de três pessoas. E em Angra dos Reis, um fatídico desmoronamento das encostas, quando famílias ainda celebravam o reveillon, resultou em 52 mortes e sonhos interrompidos. Tudo nas primeiras horas de 2010.

Nos grandes centros urbanos, como na cidade de São Paulo, as pessoas que perderam suas casas com as constantes enchentes encontram-se alojadas em casas de parentes, em escolas ou nos espaços cedidos pelas Organizações Não-governamentais (Ongs).

casa

Oração: saída em meio as tragédias

Em Juiz de Fora, as incessantes chuvas também deixaram fortes marcas, como alagamento de ruas e desmoronamentos de encostas. Nessas horas, qual o papel da igreja?

De acordo com o Técnico em eletrônica Sebastião Aparecido da Silva, a oração nesse momento é de fundamental importância. Ele destaca que as súplicas devem ser em favor “dos sobreviventes e também para que as autoridades tomem providências.”

Sebastião reafirma a importância de se ter a noção exata do que é perder tudo. “Quem não passou por isso, por perdas desse tipo, não tem ideia nessa hora. Quem já esteve nessa situação sabe exatamente qual o valor da oração”, destaca ele.

Saber o valor da oração nesse momento. A aposentada Maria Elena Costa, 61, sabe bem o que é isso. Ela conta que, no início de janeiro, ao chegar em casa domingo pela manhã, após o culto na igreja, foi surpreendida com a casa no Bairro Ipiranga inundada. “Dou valor total à oração. Foi com a ajuda de Deus que consegui continuar. Ele não me desamparou, e hoje estou em outro lugar, graças a Ele”, destaca Maria Elena.

O pastor Luiz Fernando Affonso, 53, afirma que a oração traz uma identificação com os afetados. “Quando oramos pelas vítimas dessas tragédias, nos colocamos à disposição de Deus para consolar essas pessoas. É preciso orar com ação, ser a própria resposta da súplica”, enfatiza.

tragedia em angra

Orar basta?

Para o obreiro Marcos Almeida Cândido, 48, a igreja não pode fechar os olhos para estes tristes fatos. Orar não basta. É preciso auxiliar na reconstrução de casas e recolhimento de alimentos e, desta forma, pregar a Palavra de Deus aos que carecem. “As pessoas do mundo se mobilizam, facilmente, frente às estas tragédias, e a igreja de Cristo também precisa se posicionar como voluntária. Orar e cantar dentro dos templos não é o suficiente”, destaca Marcos.

Segundo a estudante, Priscila Dianin Mendes, 19, algumas igrejas evangélicas da cidade têm atuado com intensidade nas ações sociais. O auxílio acontece em âmbito regional. “As igrejas estão praticando suas ações sociais, ajudando àqueles que perderam seus bens nas chuvas do início deste ano em Juiz de Fora. Observo que outras instituições, como a reserva do exército, a arquidiocese e ONG’s estão contribuindo com as ações sociais destinadas aos sobreviventes do recente terremoto no Haiti”, comenta a estudante. Para Priscila essas ações contribuem para uma evangelização mais efetiva.

No entanto, o obreiro José Carlos Gonçalves de Almeida destaca que, na prática, muitas igrejas deixam de cumprir atividades de cunho social. “Infelizmente, muito é dito e pouco é feito. Eu vejo muito mais as ações de entidades não-religiosas, como as ONG’s, do que o trabalho efetivo das igrejas”, explica José Carlos. De acordo com ele, o número de trabalhos sociais exercidos pelas igrejas ainda é insignificante, considerando o número de igrejas evangélicas.

Dados globais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2005, os evangélicos representavam 18% da população mundial, cerca de 33 milhões de fiéis. Nos últimos 60 anos, os evangélicos no Brasil passaram de 2,6% para 15,4%, enquanto a proporção de católicos caiu de 95% para 73,62%.

A fiscal de caixa, Letícia de Oliveira, 25, acredita que a igreja deve atuar em todas as situações, principalmente, em momentos de dor e desespero. “Está escrito que devemos amar ao próximo como a nós mesmos e uma das formas de demonstrarmos esse amor é dispormos ao trabalho nestes momentos difíceis, onde vidas são ceifadas”, diz Letícia.

O pastor Luiz Fernando reafirma o compromisso que a Igreja tem nesse momento. Entretanto ele acredita ser necessário também buscar informações com órgãos competentes, como a Defesa Civil. “É importante para que não vire bagunça e haja o atendimento de forma efetiva”, comenta o líder.

Luiz Fernando também reforça a importância de incluir esses assuntos na vida da igreja. “Devemos viver um evangelho integral, que atinge o indivíduo por completo, e isso inclui ação social”, destaca. José Carlos reitera, afirmando, ainda, que a igreja precisa se movimentar um pouco mais, se destacar, e mostrar para o mundo que os crentes estão preocupados com todas as pessoas. “Não ficamos dentro das igrejas só orando. Acima de tudo, somos constituídos missionários da Santa Palavra do Senhor Jesus e, dispor para a obra é o nosso dever”, conclui.

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